ABQ - Academia Brasileira da Qualidade

A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, tendo como membros participantes pessoas experientes e de reconhecida competência profissional adquirida ao longo dos anos – nas universidades, nas empresas e em outras organizações privadas ou públicas – em atividades relacionadas à engenharia da qualidade, à gestão da qualidade e à excelência na gestão. A administração da ABQ é realizada por um colegiado eleito entre os membros, de acordo com seu Estatuto.

 
Perguntas Frequentes
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ABQ - Associação Brasileira da Qualidade
Publicado em: 12/06/2017

 

 

 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

 

 

Acadêmico Eliezer, com contribuições dos Acadêmicos Dagnino, Dorothea, Guaragna e Pedro

 

PERGUNTA 1 - Até que ponto as empresas brasileiras praticam o planejamento estratégico?

RESPOSTA

De um modo geral, as grandes empresas brasileiras, de uma forma ou de outra, já procuram aplicar os conceitos e as metodologias de planejamento estratégico. Uma das dificuldades que elas ainda enfrentam é quanto ao detalhamento das estratégias em Planos de Ação eem Projetos, com objetivos, prazos, responsáveis, equipes, orçamentos aprovados em Diretoria etc. Porém, o mais difícil para elas costuma ser o acompanhamento sistemático e periódico da implantação dos Planos de Ação e dos Projetos. Algumas empresas de médio porte também fazem isto, porém com maiores dificuldades ainda. Já nas pequenas empresas – mais nas familiares que nas profissionais – a gestão da construção do futuro é feita de forma mais empírica e intuitiva, com alguma utilização de alguns desses conceitos e metodologias. Entretanto, mais recentemente, o melhor entendimento do conteúdo de um bom planejamento estratégico e a disseminação dos conceitos do MEG – Modelo de Excelência de Gestão – e do BSC – Balanced Scorecard – contribuíram para que as organizações passassem a amadurecer mais as suas práticas de planejamento e de gestão da estratégia. 

 

PERGUNTA 2 - E os órgãos públicos?

RESPOSTA

Poucos órgãos públicos praticam o planejamento estratégico, como um processo estruturado de "construção compartilhada de uma visão do futuro" para a gestão estratégica do órgão e para a formulação de estratégias de longo, médio, e curto prazos. A visão do curto prazo e o imediatismo são as atitudes que predominam no serviço público. Alguns poucos gestores públicos, no máximo, conseguem formular um "Plano de Governo", para os seus três ou quatro anos de mandato restante, sem qualquer vinculação com uma perspectiva de longo prazo. Alguns governos iniciam e desenvolvem planos estratégicos, incluindo o BSC mas, havendo mudanças de partidos ou governantes, o trabalho, frequentemente, é descontinuado.

 

PERGUNTA 3 - Qual a diferença entre Planejamento Estratégico e Pensamento Estratégico?

RESPOSTA

Estes dois conceitos não se opõem, eles se complementam! O Pensamento Estratégico consiste num processo mental orientado para se refletir sobre o presente a partir de um "ponto de vista no futuro", (e não o contrário, ou seja, refletir sobre o futuro a partir do presente, como se fazia no planejamento tradicional). No Pensamento Estratégico, a partir de uma visão clara de um estado ou situação futura, altamente desejável, considerada possível, examina-se o presente para se formular caminhos, passos e estratégias para se atingir aquele futuro desejado. Já no Planejamento Estratégico, de forma estruturada e com metodologia própria, utiliza-se, inicialmente, o Pensamento Estratégico para a formulação da Visão do Futuro e das Estratégias para atingi-lo e, a partir daí, detalham-se os Planos de Ação, Objetivos e Metas, responsáveis, orçamentos,etc. e estabelecem-se os roteiros e calendários de acompanhamento de sua execução e implantação. Correções de rumo, ajustes de metas, e alterações de equipes de trabalho também podem ocorrer! Assim, um bom Planejamento Estratégico deve ser precedido por um qualificado Pensamento Estratégico, que dá significado à organização e a suas estratégias.

 

PERGUNTA 4 - Qual a frequência adequada para revisão do Planejamento Estratégico?

RESPOSTA

Os períodos de revisão dos Planos Estratégicos de uma empresa ou entidade variam muito, caso a caso, dependendo do tipo de negócio, dos ciclos de maturação dos investimento e dos ciclos dos processos produtivos. Variam também com a velocidade das mudanças no ambiente externo, das velocidades das mudanças tecnológicas e das mudanças no mercado e na concorrência, assim como do setor de atuação. Em termos gerais, recomenda-se, inicialmente, revisões profundas a cada 3 a 4 anos. Revisões nas Estratégias e nos Objetivos são recomendáveis pelo menos uma vez a cada ano. Já os Planos de Ação e os Projetos demandam ciclos de revisão bem mais curtos, a cada bimestre, trimestre ou quadrimestre, conforme o caso. Esse encadeamento de revisões é muito importante pois reforça o aprendizado estratégico que se dá em várias instâncias da organização. As revisões mais profundas podem abordar mudanças fundamentais no modelo de negócio, nas aspirações de futuro – sua visão – e na própria natureza da organização – sua missão. Isto permite reforçar os esforços sobre os Plano de Ação e Projetos que se mostrem promissores e evita-se que sejam continuados indefinidamente Plano de Ação e Projetos que não tenham mais sentido à luz das mudanças ocorridas ou a ocorrer.

 

PERGUNTA 5 - Qual deve ser o nível dos participantes no Planejamento Estratégico de uma organização?

RESPOSTA

 

O que se deve contar, na escolha de participantes para o Planejamento Estratégico, não é nem o nível hierárquico nem o nível acadêmico nem o nível gerencial; deve-se convocar aquelas pessoas que tenham o que contribuir efetivamente com ideias e ações para a construção do futuro da entidade ou empresa. Assim, nas revisões profundas, a cada 3 a 4 anos, e nas revisões anuais, recomendamos convocar, integralmente, todo o primeiro e segundo níveis hierárquicos, adicionados de gestores do terceiro nível que podem ter uma contribuição efetiva para formulação e implementação dos Planos de Ação. Formadores de opinião também são recomendáveis, mas nada que, no total, não se ultrapasse quatro a cinco dezenas de participantes. As revisões do andamento dos Planos de Ação podem ser segmentadas, por estratégias, programas ou grupos de projetos, e devem contar com a presença das equipes que estiverem implementando os planos, juntamente com suas respectivas chefias. Recomenda-se, adicionalmente, que alguns gestores e funcionários que estejam atuando em níveis de execução sejam também ouvidos e participem das reuniões de trabalho para elaboração, detalhamento, implantação e acompanhamento dos Planos de Ação e dos Projetos, para que eles tenham também a oportunidade de contribuir com sugestões e propostas, e para que todo o processo seja o mais participativo possível. Quanto à elaboração e acompanhamento da gestão dos Projetos e dos Planos de Ação, eles seguem metodologias próprias, porém sua orientação –e eventual redirecionamento, reagendamento ou revisão–devem seguir, sempre, as diretrizes estratégias derivadas do Planejamento Estratégico e de suas revisões.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

 

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