ABQ - Academia Brasileira da Qualidade

A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, tendo como membros participantes pessoas experientes e de reconhecida competência profissional adquirida ao longo dos anos – nas universidades, nas empresas e em outras organizações privadas ou públicas – em atividades relacionadas à engenharia da qualidade, à gestão da qualidade e à excelência na gestão. A administração da ABQ é realizada por um colegiado eleito entre os membros, de acordo com seu Estatuto.

 
Do GEIA ao INOVAR-AUTO
A iniciativa de implementar os CCQs, em suas linhas produtivas, não foi exclusividade da Volkswagen
ABQ - Associação Brasileira da Qualidade
Publicado em: 18/07/2017

 

 

Ilcon Miranda Costa

 

 

 

Há 61 anos, foi publicado o Decreto nº 39.412, estabelecendo normas para a criação da Indústria Automobilística Brasileira e instituindo o Grupo Executivo, o GEIA, a fim de executaras diretrizes básicas enunciadas no decreto, formular outras recomendações de incentivo à indústria automobilística e garantir incentivos às empresas envolvidas na fabricação de automóveis e de autopeças.

Atraídos pelo programa de metas de desenvolvimento do governo, os alemães instalaram uma fábrica, em São Bernardo do Campo, em 1959. Em 1967 e os americanos lançaram no País o “Galaxie”.

Além desse fato,os anos 60 foram marcados por iniciativas isoladas em programas da qualidade. A iniciativa de implementar os CCQs, em suas linhas produtivas, não foi exclusividade da Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo, mas também da Johnson & Johnson e da EMBRAER, ambas em São José dos Campos.

A partir de 1971, o movimento CCQ atingiu o seu apogeu. Muitos fornecedores da Volkswagen e da Johnson & Johnson, aderiram ao movimento. A euforia era tanta, que Ishikawa, quando esteve aqui, comentou que o Brasil era o único país no mundo, além do Japão, a implementar CCQs de forma eficaz.

Entretanto,outros fatos ainda estavam por vir, nos anos setenta, que contribuiriam de forma decisiva para a mudança no rumo da qualidade no Brasil.

Um desses novos fatos foi o inicio da era de projeto e fabricação de carros genuinamente nacionais, em 1973, com o lançamento do Brasília e nos anos seguintes, do SP1 e do SP2, no mercado brasileiro.

O outro fato evidenciado, naquele mesmo ano, foi a participação conjunta das indústrias e governo nos movimentos da qualidade. Em dezembro de 1973, foi realizado em Porto Alegre o I Seminário de Controle da Qualidade. Naquela ocasião o governo criou o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, o SINMETRO, instituindo novas regras para a qualidade industrial e, para executá-las, foi criado o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade, o INMETRO.

A indústria automobilística estava representada nesse evento pela Volkswagen do Brasil.

Naquele mesmo dia, foi criada pelos presentes a primeira entidade representante da qualidade no País, a Associação Brasileira de Controle da Qualidade (ABCQ), formada por 12 (doze) membros paulistas e gaúchos.

Em continuidade ao movimento iniciado em 1973, no ano seguinte, foram enviados ao Japão, engenheiros brasileiros para serem treinados pela JUSE – União dos Cientistas e Engenheiros Japoneses, em técnicas e métodos da qualidade, com a finalidade de dar suporte ao Programa Nuclear, iniciado efetivamente pelas obras da usina nuclear de Angra 1.

Em 1976, chegaram os italianos, para completar o time das grandes automobilísticas sediadas no Brasil.

Asindústrias automobilísticas foram as responsáveis pelo desenvolvimento de maior parte da rede de fornecedores de autopeças e da mão-de-obra qualificada, tão carente no País.

Com a vinda dos anos 80, iniciou-se a década dos Seminários Nacionais e Internacionais, com a presença de ilustres representantes da qualidade do Japão, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Portugal e Argentina.

Em 1988, em conjunto com as associações de Qualidade do Brasil, da Argentina, do Chile e da Colômbia, foi realizado o Seminário América Latina e a Qualidade e, em 1989, o Seminário Internacional da Qualidade, com a participação de 46 países.

O governo brasileiro, com o apoio do BIRD- Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, estabeleceu o Programa da Qualidade, com o objetivo de capacitar instituições brasileiras para disseminar os novos conceitos da qualidade.

Com a abertura do mercado nacional à importação, nos anos 90, vieram japoneses, franceses, coreanos e outros, que aqui fixaram suas fábricas, e o governo criou o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP), instituiu o Sistema Brasileiro de Certificação (SBC) e o Comitê Brasileiro de Certificação (CBC), para regulamentar a acreditação de organismos de certificação.

Em 1995 foi fundado o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), primeiro organismo de certificação, no setor automobilístico acreditado pelo Inmetro, resultado do trabalho conjunto do governo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e outras entidades neutras.

Ao se iniciar o século XXI, foi formada a Academia Brasileira da Qualidade, a ABQ, constituída nessa ocasião por 10 membros e, no campo automobilístico, o Brasil já se enquadrava entre os países maiores fabricantes mundiais de automóveis.

Novas exigências do mercado surgiram e, em 2012, o governo publicou o Decreto nº 7.819, regulamentando o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto, com o objetivo de criar condições de competitividade e incentivar as empresas a fabricar carros mais econômicos e mais seguros, investir em capacitação da cadeia de fornecedores, engenharia, tecnologia industrial básica e pesquisa e desenvolvimento (P&D). O decreto prevê incentivos fiscais a serem concedidos aos fabricantes habilitados pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), e ao alcance das metas estabelecidas Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Nesse espírito, o decreto estabeleceu metas de eficiência energética para veículos movidos a gasolina e/ou etanol, a serem atingidas até 31 de dezembro de 2017.

O setor automotivo, um dos mais afetados pela atual crise econômica, está ameaçada de não alcançar a meta, comprometendo a habilitação ao Programa Inovar-Auto. Na hipótese de não atingimento da meta de habilitação, a empresa estará sujeita a multas previstas na legislação.

Já em 2016 foi realizada uma primeira verificação do consumo energético, três empresas atingiram a meta e passaram, a partir de janeiro de 2017, a usufruir do benefício de redução da alíquota de IPI incidente sobre os veículos comercializados.

O setor automobilístico chega em 2017 com muitos obstáculos a serem vencidos, antes que sejam atingidas as metas estabelecidadas pelo governo.

A partir de abril de 2017 o governo estabeleceu um novo programa, conhecido como “Rota 2030”, que irá substituir o Inovar-Auto que encerrá em 31 de dezembro de 2017.

A expectativa é que o “Rota 2030” mantenha itens importantes do “Inovar-Auto”, tais como P&D, inovação e eficiência energética", com visão para o mercado global, já que, no Inovar-Auto, a visão está voltada para o mercado interno.

Com o “Rota 2030”, espera-se que o setor automobilístico chegue, em 2030, com tecnologia avançada, comparável a de mercados mais desenvolvidos no campo automobilístico

 

 

Eng. Ilcon Miranda Costa é Membro da ABQ, Presidente do Conselho da ABCQ e Conselheiro do IQA.

 

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