ABQ - Academia Brasileira da Qualidade

A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, tendo como membros participantes pessoas experientes e de reconhecida competência profissional adquirida ao longo dos anos – nas universidades, nas empresas e em outras organizações privadas ou públicas – em atividades relacionadas à engenharia da qualidade, à gestão da qualidade e à excelência na gestão. A administração da ABQ é realizada por um colegiado eleito entre os membros, de acordo com seu Estatuto.

 

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ABQ - Academia Brasileira da Qualidade

 

 

PERGUNTAS FREQUENTES

 

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EDUCAÇÃO


Acadêmico Claudio de Moura Castro



1. Os conhecidos problemas quanto à qualidade da educação no Brasil são principalmente de gestão, falta de recursos ou ambos?

Na década de setenta, na sua perspicácia, Mário Henrique Simonsen já nos dizia: Não é que o Brasil gaste pouco com a educação, o problema é que gasta mal. A evidência recente confirma suas previsões. O Pisa nos diz contundentemente que há países que gastam menos na educação e conseguem mais qualidade (a exemplo, Chile Uruguai e China). Na última década, triplicamos os gastos públicos com educação. Ao mesmo tempo, seja na qualidade ou quantidade, o progresso foi pífio, senão negativo. A conclusão é inevitável, jogar dinheiro no problema não é uma boa política.

As causas são múltiplas, começando com o desinteresse da sociedade e dos países em particular. A gestão é burra e capenga, a política entra pela janela e os currículos são para gênios. Para coroar, os cursos de preparação de professores nem ensinam o conteúdo que ensinarão e nem ensinam a dar aulas.

2. Os resultados do ENEM e ENADE são relevantes para a avaliação da educação no Brasil e propiciam a introdução de melhorias, ou não representam a realidade?

O Brasil é um país de educação ruim e de excelentes instrumentos para medir o quanto é ruim. A avaliação é a área em que o país mais avançou. Pode-se dizer, temos um sistema de avaliação de primeiro mundo e isso em todos os níveis. Os testes não medem tudo que esperamos da escola. Mas medir se os alunos dominam o currículo prescrito já é um passo gigantesco. Nos sistemas privados, o impacto da avaliação é devastador, para o bem e para o mal. Já no sistema público, refletindo o seu tradicional autismo, o impacto é restrito a uma ou outra instituição.

3. Uma maior participação da sociedade em geral e das comunidades seria importante para o aprimoramento do ensino e melhoria dos indicadores?

Há países com sistemas educativos de boa qualidade, como a França, em que a participação das comunidades e, em particular, dos pais é muito limitada. Mas em países como o nosso, ou há uma participação poderosa dos pais ou a educação vai continuar na sua doce mediocridade. A Coréia é o exemplo extremo de participação e de excelência do ensino. A primeira puxa o segundo.

4. Que ações poderiam compensar as diferenças de nível de renda de forma a atingir níveis adequados dos indicadores em educação no caso de populações carentes?

Esta é uma das missões mais árduas para a escola. Mesmo os países de primeiro mundo não têm desempenho brilhante no seu esforço de eliminar estas diferenças. Coréia e Finlândia são os países que mais avançaram nesta direção. Talvez valha notar que são países extremamente homogêneos, desde muitos séculos.

Seja como for, a primeira providência é garantir que os mais pobres tenham uma boa escola. Em seguida, acompanhar de perto o desempenho dos alunos mais fracos e atendê-los logo com apoio eficaz, para que não fiquem para trás.

5. Como tornar a carreira de professor atraente, para fazer com que os melhores alunos a sigam?

Em primeiro lugar, reformando severamente os cursos de formação de professores. Hoje não passam de caricaturas do que deveriam ser. Em segundo lugar, melhorando o ambiente da escola. Quem seria atraído por uma escola em que falta autoridade e disciplina, ao mesmo tempo em que sobra violência? Em terceiro lugar, a carreira do magistério é burra. Apenas um exemplo: por que não são eliminados aqueles claramente deficientes na sala de aula, após o período probatório? Pesquisas mostram que em um ano já se sabe quem não vai ser um bom professor. Tudo isso mina a atratividade da carreira. Note-se que o ensino privado atrai os melhores professores, embora nem ofereça estabilidade, melhores salários ou aposentadorias.


 

ESTATÍSTICA

Acadêmico Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto



1. Qual a importância da Estatística para as organizações?

A Estatística, através de suas técnicas de organização, análise e interpretação de dados oriundos de situações reais, oferece, de diversas formas, importantes subsídios às organizações para a tomada de decisões.

2. Como a Estatística trabalha os dados da realidade prática?

A Estatística pode ser considerada dividida em duas partes: Estatística Descritiva, que organiza e apresenta os dados da realidade, eEstatística Indutiva (ou Inferência Estatística), que realiza a análise e interpretação desses dados visando compreender melhor o universo de onde eles procedem. A figura a seguir ilustra essa questão.

Estatística ABQ

3. Quais os problemas que a Estatística resolve?

A Estatística Descritiva, o de apresentar adequadamente os dados, de modo a fornecer informações inteligíveis, seja através de gráficos ou de indicadores, tais como a média, o desvio padrão, a proporção, etc.

A Estatística Indutiva (ou Inferência Estatística), o de tirar conclusões sobre as populações ou universo de interesse a partir dos resultados observados em amostras. Essas conclusões podem ser obtidas em três tipos de situações resolvidas pela Estatística Indutiva:

Estimação de parâmetros, quando se quer conhecer, ao menos aproximadamente, certo valor populacional importante para os objetivos da pesquisa.

Testes de hipóteses, quando alguma hipótese existente sobre alguma característica populacional é submetida a um teste mediante sua comparação com a evidência amostral, podendo a hipótese ser mantida ou rejeitada.

Especificação de modelos, quando se busca, através dos resultados amostrais, estabelecer um modelo de comportamentoteórico davariável de interesse na população de valores, como, por exemplo, uma distribuição normal, exponencial ou outras possíveis.

4. As universidades brasileiras fornecem aos engenheiros e profissionais afins conhecimentos suficientes para bem utilizá-los em suas atividades profissionais?

As melhores universidades, sim. Entretanto, esse conhecimento é mais técnico que aplicado, mas já representa uma boa base para o engenheiro “se virar” na prática. Porém, é preciso frisar que o uso da Estatística na prática deve vir sempre acompanhado de bom senso, não desprezando a experiência adquirida anteriormente.

5. As empresas brasileiras adotam métodos estatísticos adequados e em nível suficiente?

A grande maioria, decerto, não. Esse problema foi identificado pelo próprio George Box, então considerado o maior estatístico vivo, 30 anos atrás, nas próprias empresas norte-americanas. No entanto, há certamente boas empresas brasileiras que utilizam eficazmente métodos estatísticos adequados, entre eles decerto as que adotam a Metodologia Seis Sigma, em cuja essência está essa prática.

6. Quais os métodos estatísticos muito importantes e menos usados?

Não existe um levantamento confiável a esse respeito, mas podem-se aventar alguns:

Análise de variância, um método para comparar várias médias sob diversas condições.

Regressão simples ou múltipla, usado na previsão e estimação de valores além de região de coleta dos dados.

Delineamento de experimentos, recomendado quando experiências são construídas visando obter resultados específicos.

Análise fatorial, quando se quer determinar quais os principais fatores que influenciam certo resultado.

Análise discriminante, para buscar separar medidas oriundas de diferentes universos.

7. Seis Sigma é importante? Em que casos?

A Metodologia Seis Sigma tem por mote buscar obter nos processos uma precisão capaz de trabalhar com apenas três falhas em um milhão de itens produzidos. Evidentemente, isso é importante em casos nos quais a ocorrência de falhas seja grave. No entanto, mais do que isso, a Metodologia Seis Sigma embute também os componentes essenciais da Gestão da Qualidade, sendo, portanto, válida também sob esse aspecto.

8. Inspeção 100% ou por amostragem? Existem casos em que se deve optar por um ou outro método? Como decidir?

A tendência moderna é nem uma, nem outra, sendo a qualidade do produto garantida no processo de produção. Entretanto, certos casos que exigem segurança absoluta podem ainda usar inspeção 100%, como outros menos rígidos podem se valer das inspeções por amostragem. Assim, existem casos em que se deve optar por um ou outro método, sendo a decisão tomada tecnicamente e usando o bom senso em cada um desses casos. Existem ainda áreas, como a indústria nuclear, em que os aspectos de segurança definem inspeção 200% ou 300%.

9. De que forma o erro de medição deve ser controlado?

O erro de medição é controlado estatisticamente, mediante o uso de fórmulas adequadas fornecidas pela teoria. Esse erro diz respeito à precisão das medidas mas, antes de tudo, é preciso garantir a sua exatidão, ou seja, que os erros, que correspondem a componentes aleatório do processo de medição, ocorram em torno do valor esperado da grandeza sendo controlada.

10. Como funciona a calibração de instrumentos no Brasil?

Como em qualquer parte do mundo, pois o Brasil faz parte do sistema metrológico internacional. Esse sistema mantém padrões básicos aos quais outros padrões de referências (em laboratórios nacionais ou regionais) são atrelados. As indústrias, por sua vez, podem calibrar seus padrões referenciais junto a esses ou mesmo mantendo padrões próprios para calibragens mais simples e frequentes. Esse processo, que visa garantir a rastreabilidade metrológica dos instrumentos de medição, é fundamental no mundo atual globalizado, onde existe um intenso comércio internacional de itens que, em muitos casos, exigem rigor e precisão nas grandezas envolvidas, garantindo a intercambialidade dos itens que serão utilizados em acoplamentos ou montagens.
 
 

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