ABQ: GOVERNANÇA GLOBAL EM CRISE – REFLEXÕES PARA UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Governança Global Crise - ABQ

Por Bernardo Lins*

 

Empresas são instituições dinâmicas, quase como seres vivos que nascem, crescem e dependem da competência, da sagacidade e da dedicação de todos os colaboradores para preservar sua saúde financeira e sua participação no mercado. As operações do dia-a-dia exigem do executivo e de seus colaboradores uma atenção aos procedimentos operacionais e às oportunidades de negócios que são vislumbradas. A lucratividade, na visão de curto prazo, está visceralmente ligada à atualização tecnológica e à gestão da qualidade, para alcançar novos patamares de produtividade, de eficácia e de segurança.

Na visão de longo prazo, além desse olhar ao ambiente interno da empresa e ao ambiente externo do mercado, é preciso compreender como a situação negocial irá evoluir. Há um componente de política importante e este vem sendo afetado, atualmente, por uma crise da governança global, cuja principal impulsionadora é a administração norte-americana. Dada a sua extensão, ela afeta expectativas e ambiente de negócios em todos os países.

Governança, seja nas empresas ou nas instituições públicas, não diz respeito propriamente a que decisões são tomadas, mas principalmente ao modo como é negociado e conduzido o processo decisório, ou seja, como o poder é exercido. Há uma dimensão ética da governança, que alcança o alinhamento das práticas adotadas com princípios e valores consagrados, bem como a legitimidade da gestão, o modo como as controvérsias são resolvidos, os stakeholders são atendidos e os resultados são divulgados. E há uma dimensão estratégica, voltada a garantir a estabilidade e continuidade da gestão, a maturidade das políticas corporativas e a eficácia dos resultados.

No ambiente global, a necessidade de uma governança resulta da multiplicidade de interesses compartilhados entre nações e mercados. Problemas que demandam ação coletiva para sua negociação apoiam-se na aceitação de regras e princípios vistos como legítimos, sem ferir a soberania nacional de cada participante. Vários temas emergentes reforçam essa necessidade e alguns deles nasceram, historicamente, do esforço tecnológico e da política externa liderados pelos EUA nas últimas décadas

Vislumbrar o que está mudando nesse modelo de governança global e qual a sua configuração no futuro próximo exige um olhar à história, para identificar os principais vetores de mudança que se consolidaram, alguns dos quais no âmbito da política de defesa norte-americana. Estes terão implicações para as decisões de política externa e de política econômica do Brasil nos próximos anos, afetando o mercado interno e. em última instância, as escolhas de estratégia de longo prazo das empresas brasileiras.

 

*Bernardo Felipe Estellita Lins é Engenheiro Civil pela UnB – Universidade de Brasília; Mestre e Doutor em Economia; Especialização em Análise de Sistemas pela UCB; Examinador e Examinador Sênior do PNQ e do Prêmio da Qualidade do Governo Federal; Mais de 20 artigos publicados ou apresentados em eventos sobre Qualidade.

Os artigos publicados refletem a opinião dos autores e não necessariamente
a da Academia Brasileira da Qualidade.

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