O FUTURO DO TRABALHO OU O TRABALHO DO FUTURO? EIS A QUESTÃO, EIS A SOLUÇÃO

IMG Livro ABQ – O FUTURO DO TRABALHO OU O TRABALHO DO FUTURO? EIS A QUESTÃO, EIS A SOLUÇÃO

Por Jairo Martins*

 

Introdução

Um tema que tem se tornado objeto de matérias, livros, debates e opiniões é a transformação na natureza do trabalho, onde os computadores, a robótica, a inteligência artificial, as telecomunicações e outras tecnologias da era da Informação estão substituindo os seres humanos em praticamente todos os setores e mercados.

As causas do desemprego são muitas e, muitas vezes, o que é causa para uma determinada linha de pensamento, pode ser solução para outra. Dentre as causas mais citadas, pode-se enunciar: o desenvolvimento tecnológico, a globalização,  a terceirização, o descaso com a educação, a falta de qualificação além de outras. O nosso objetivo aqui é desmistificar essa “tragédia anunciada”, demonstrando que a questão não é nova, estando presente em todas as fases evolutivas da humanidade, que sempre trouxe soluções para os dilemas da sociedade.

O Trabalho na Evolução da Humanidade    

Desde os primórdios da humanidade, o homem percebeu que a sua sobrevivência dependia diretamente do seu esforço e das suas habilidades, ou seja, do seu trabalho.

Quando olhamos para trás, não é nada difícil perceber que o trabalho humano se transformou bastante com o passar dos séculos. A relação das pessoas com seus ofícios evolui de acordo com as mudanças culturais e, segundo a linguagem moderna, tecnológicas, que passaram a fazer parte das suas vidas. Não é por acaso que a Pré-história é dividida de acordo com os Instrumentos de Trabalho utilizados pelos homens: o Paleolítico, o Neolítico e a Idade dos Metais.

A Pré-História foi o longo período que precedeu a invenção da escrita, caracterizado pela evolução humana e pelo desenvolvimento de ferramentas, domesticação de animais e formação de sociedades primitivas, com estudos baseados em vestígios arqueológicos.

A partir daí teve início a História, abrangendo o período no qual houve o surgimento da escrita, que marcou o fim da Pré-História, e está registrada através de documentos, dando início à Era Agrícola, caracterizando o início da História, propriamente dita. Segundo a visão clássica e tradicional, a Divisão da História da Humanidade é feita em quatro grandes períodos, também chamados de “Idades”: Antiga, Média, Moderna e Contemporânea.

No decorrer da história, a sociedade passou por transformações profundas, que os historiadores caracterizaram como Revoluções Agrícola, Industrial e Tecnológica. A Revolução Agrícola (iniciada no século XVIII) impulsionou a produção de alimentos e matérias-primas através de novas técnicas e mecanização, a Revolução Industrial (também no século XVIII) transformou a produção com máquinas e novas fontes de energia, e a Revolução Tecnológica (com sua fase mais recente na era digital) avançou, por meio da microeletrônica e do desenvolvimento do Software, a automação, inteligência artificial e uso de dados para otimizar processos em diversas áreas, incluindo a agricultura moderna. Em todas elas, novas tecnologias foram criadas para facilitar o trabalho e a vida – o que hoje chamamos de Inovação.

É evidente que novidades sempre trazem reações antes das transformações para facilitar o dia a dia das pessoas. Exemplo desse fato é a mobilidade que passou por uma grande revolução no final do século 19, com a invenção do automóvel. O motor substituiu o cavalo e mandou carroças, carruagens e caleches para o museu. Os limpadores de fezes dos cavalos nas ruas foram, aos poucos perdendo os seus empregos. Por outro lado, o automóvel transformou a economia e a sociedade, com o crescimento da produção e das indústrias automotivas e correlatas, gerando novos empregos para aqueles que se dispuseram a se capacitar – aí entra o papel da Educação.

Pode-se dizer então que desde o início dos tempos o ser humano desenvolveu tecnologias para atender às suas necessidades, tornando o homem e a tecnologia interdependentes – se um chegou para mudar, o outro também é obrigado a mudar, em um ciclo contínuo virtuoso e simbiótico de causas e efeitos, para gerar resultados coletivos – Geração de Valor.

Conclusão

Nessa breve análise das fases de desenvolvimento da humanidade ficou claro que a relação Homem-Trabalho sempre foi uma construção a “quatro mãos” – “Habilidades e Tecnologia”. A tecnologia foi, é e será criada pelo homem e sempre evoluiu para facilitar o trabalho, aumentar a produtividade e melhorar a Qualidade de Vida, atendendo às demandas de uma população crescente.

Retornando à nossa questão inicial, “O Futuro do Trabalho ou o Trabalho do Futuro?”, fica evidente que entre as inúmeras dimensões da vida, em geral, a “Sobrevivência” é o principal objetivo e este só pode ser atingido com aprendizado contínuo, inovação, adaptação e muito trabalho. Assim, com relação ao “Futuro do Trabalho”, ele sempre existiu e continuará a existir, principalmente nos cenários atuais e futuros, caracterizados por mudanças exponenciais e disruptivas (Eis a Questão!). Com relação ao “Trabalho do Futuro”, nunca houve tantas oportunidades geradas por mudanças tão rápidas e intensas. Só nos resta termos a visão correta e desenvolvermos as habilidades essenciais necessárias para essa Nova Era, abraçando a mudança e a tecnologia, com entusiasmo e determinação, sem medo, sem preconceitos e sem apego ao passado. Tudo isso só poderá ser alcançado por meio da Educação, unindo o intelecto do Homem e a precisão da Tecnologia, pois é a única forma de vivenciarmos ativamente essa “Nova Era” (Eis a Solução!).

 

*Jairo Martins é Diretor Presidente da ABQ – Gestão 2023-2024; Engenheiro eletrônico graduado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); Especialização em Administração, pela Faculdade Católica de Administração de Empresas, em Curitiba; Mestrado profissional em gestão empresarial pela Duke University, na Carolina do Norte (EUA); Exerceu as suas atividades profissionais na Siemens, nas áreas de telecomunicações e tecnologia da informação, onde ocupou várias posições no Brasil, América Latina e Alemanha; Foi um dos Coordenadores do Sistema Siemens de Qualidade Total, que culminou com recebimento do PNQ 1998, pela Divisão de Telecomunicações; Entre 2011 e 2019 foi presidente-executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ); Membro da Rede Iberoamericana de la Excelencia en la Gestión (Redibex), onde também é Juiz do Prêmio concedido pela Rede; Membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) e do Global Excellence Model Council (GEC); Atualmente é Sócio Diretor da T&S Academy – Reinvente o Futuro.

Os artigos publicados refletem a opinião dos autores e não necessariamente
a da Academia Brasileira da Qualidade.

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2 Comentários de “O FUTURO DO TRABALHO OU O TRABALHO DO FUTURO? EIS A QUESTÃO, EIS A SOLUÇÃO

  1. A educação está no centro da questão aqui abordada. Através da educação somos capazes de fazer frente ao presente e, principalmente, sobreviver e, até mesmo, moldar o futuro sem medo mas com confiança. O futuro não aguarda, vem célere. Parabéns Jairo.

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