RUMO À QUALIDADE PARA A HUMANIDADE

IMG Livro ABQ 15 anos – RUMO À QUALIDADE PARA A HUMANIDADE

Por Sergio Foguel*

O texto discute o potencial do Movimento pela Qualidade para enfrentar os desafios socioeconômicos-ambientais contemporâneos da humanidade rumo a um futuro sustentável. Surgido no pós-Segunda Guerra Mundial com foco no controle de processos industriais, o movimento ampliou significativamente seu escopo para a melhoria de organizações, políticas públicas e sistemas sociais. A questão central levantada é como esse legado pode ser mobilizado para promover qualidade de vida, sustentabilidade e fortalecimento das instituições globais.

Apoiando-se em evidência de diversos casos de sucesso ao redor do mundo, o autor argumenta que a qualidade, quando aplicada de forma estratégica, colaborativa e orientada por valores, pode ser um poderoso instrumento de transformação social. Ao promover eficiência, inovação e sustentabilidade, o Movimento pela Qualidade tem potencial para contribuir significativamente para o bem-estar da humanidade e para a construção de um futuro mais equilibrado e inclusivo.

Esses casos abrangem melhorias no sistema judiciário, ampliação do acesso à saúde e educação, regeneração ambiental e aprimoramento da governança pública. Destacam também o papel da qualidade no desenvolvimento sustentável, especialmente quando associada a cadeias produtivas regionais e ao turismo que pode promover paz e integração social. Além disso, a crescente relevância da qualidade de dados é enfatizada, sobretudo no contexto da inteligência artificial, cuja eficácia depende diretamente de informações precisas e confiáveis.

A análise dos fatores críticos para o sucesso dessas iniciativas revela a essencialidade da Qualidade em Governança em todos os tipos de organizações: empresas, governos, sociais e instituições multinacionais. E, assim, destaca a importância de um direcionamento estratégico claro, baseado na sinergia entre valores (Yin) e visão de futuro (Yang), que fica realçada marcadamente em ambientes complexos e em constante transformação.

Outro elemento essencial é a co-construção, entendida como a colaboração entre diferentes setores — público, privado e sociedade civil — para alcançar objetivos comuns. A complexidade dos desafios atuais exige essa articulação coletiva, que requer capacidade de liderança para “orquestrar a pluralidade mutante”, ou seja, coordenar múltiplos atores, interesses e contextos dinâmicos.

O texto também realça uma mudança nas concepções sobre o ser humano e o trabalho. Modelos tradicionais, baseados em controle, hierarquia e padronização, vêm sendo substituídos por abordagens que valorizam a autonomia, a confiança, a colaboração e o aprendizado contínuo. Essa transformação cultural é fundamental para que a qualidade se torne um valor incorporado às práticas organizacionais e sociais.

Outro ponto relevante é o avanço das normas de qualidade, que passaram a incorporar princípios de governança e sustentabilidade. Exemplos incluem padrões internacionais aplicados à gestão pública e ao setor produtivo, que contribuem para melhorar a efetividade dos serviços e alinhar práticas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No Brasil, iniciativas no setor de turismo demonstram como sistemas normativos integrados podem impulsionar o desenvolvimento regional, gerar renda e promover inclusão social.

Os casos brasileiros apresentados reforçam o impacto concreto da qualidade na vida das pessoas. Projetos em diferentes municípios mostram como a aplicação de normas e práticas de gestão pode fortalecer a transparência, a participação cidadã e a continuidade de políticas públicas. Essas experiências evidenciam que a qualidade vai além de aspectos técnicos, contribuindo também para o fortalecimento da democracia e da cidadania ativa.

Apesar dos avanços, o texto aponta desafios importantes. Uma pesquisa recente indica que, embora a sustentabilidade seja valorizada, ainda não está plenamente integrada às operações das organizações, evidenciando que muitos líderes não reconhecem o potencial da gestão da qualidade para esta integração, inclusive visando a produtividade.

Diante desse cenário, o autor defende a necessidade de revitalizar o Movimento pela Qualidade, destacando seu papel estratégico na promoção de um futuro sustentável. Para isso, é fundamental o engajamento das lideranças organizacionais, responsáveis por integrar qualidade e sustentabilidade nos sistemas de governança. Executivos, conselheiros e demais dirigentes devem assumir esse compromisso, garantindo que a voz da qualidade seja efetivamente incorporada às decisões e práticas institucionais.

 

Síntese do Cap. 16 intitulado “Rumo à Qualidade para a Humanidade” do livro “Qualidade e Sociedade: Perspectivas”, da Academia Brasileira da Qualidade – ABQ, São Paulo, 2025, páginas 153-163, Qualitymark.

 

*Sergio Foguel é Consultor de líderes e fundadores de organizações em Qualidade de Governança, Cultura, Estratégia e Desenvolvimento Humano e Organizacional; Graduação em Engenharia Civil (UFRS), Mestre em Administração (UCLA), pesquisas em governança (IMD) e em aprendizagem organizacional (HARVARD,

MIT); Membro da IAQ – International Academy for Quality (USA), da Academia Brasileira da Qualidade e dos Conselhos Internacionais da HERITY (Roma) e da Fundação Dom Cabral (Brasil); Chair do IAQ – Quality in Governance Think Tank; Mais de 30 anos como CEO e executivo, inclusive fundador e líder de empresas, institutos e fundações. Foi Presidente do IBQP e cofundador do MBC; Conselheiro de empresas, instituições sociais e entidades governamentais; Extensa atuação em Educação (docência e gestão) e conferencista; Autor e coautor de livros, capítulos e outros textos publicados.

Os artigos publicados refletem a opinião dos autores e não necessariamente
a da Academia Brasileira da Qualidade.

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1 Comentários em “RUMO À QUALIDADE PARA A HUMANIDADE

  1. Concordo com tudo que foi dito no artigo.
    Parabéns Foguel pela bordagem bem abrangente que vc fez no artigo.
    Sustentabilidade, desenvolvimento econômico, “social”, liderança, organizações mais bem administradas, tudo isso é muito bom. Mas como estamos formando as futuras gerações? Como formar cidadãos íntegros, produtivos e éticos sem uma educação de qualidade?
    Como educar as crianças e jovens para formar as lideranças do futuro que possam substituir as atuais?
    E aqui eu falo da EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL, não do ensino superior que precisa fazer um esforço enorme para transformar a minoria da grande população de baixa renda que, até hoje, não tem acesso a uma educação de qualidade e é excluída e mantida com migalhas que lhes são dadas como o peixe que é dado de graça, mas sem ensinar a pescar. Isso é um chavão sim, mas é a mais pura verdade, independente de quem esteja liderando o país. A educação no Brasil tem melhorado mas a passos muito lentos.
    Desculpem-me ser repetitivo com esse tema mas é pra ver se conseguimos de alguma forma fazer com que a Qualidade ajude também, de fato, a melhorar a qualidade da educação no país.
    O capítulo do novo livro da ABQ que escrevemos fala exatamente sobre a formação de cidadãos para o século XXI.
    Espero que ajude de alguma forma a sensibilizar e mostrar um caminho viável e prático para que, com vontade política e ajuda da sociedade organizada, possamos contribuir para o desenvolvimento de um país educado, próspero e ético.

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