UM PARADOXO INTRIGANTE CHAMADO QUALIDADE 4.0

Livro ABQ – Um Paradoxo Intrigante Chamado Qualidade 4.0

Por Edson Pacheco Paladini*

 

Qualidade sempre foi uma questão considerada prioritária no contexto das organizações produtivas. Ainda mais agora, no embalo da Indústria 4.0 (daí veio a Qualidade 4.0).  Mas por que a ênfase à Qualidade 4.0 não se concretiza em ações? O que falta para passar da teoria à prática?

São variadas razões para tanto. Em muitos casos, porque nem sempre as convicções superam as conveniências. De todo modo, é sempre difícil justificar o descarte do óbvio em benefício do imponderado. E aí inventa-se meios para tanto, tipo responsabilizar terceiros por falhas que são nossas ou mesmo estruturar justificativas (que, muitas vezes, não conseguem parar em pé sozinhas).

A análise destas situações tanto pode conduzir para as chamadas “boas práticas” como também para “más práticas”, estas mais difíceis de encontrar em ambientes a céu aberto.

Variadas situações e diversos exemplos mostram que, na vida das empresas, nem sempre existem o que se possa chamar de adversidades, mas, sim, opções equivocadas que pavimentaram o caminho irreversível rumo ao fracasso.

No final, fica a impressão que falar é apenas observar o cenário e concordar com ele. Mas sem compromisso com transformá-lo em realidade.

Não parece razoável considerar que o paradoxo que envolve o conceito de Qualidade 4.0 decorra, apenas e simplesmente, de quem não ouse transformar sólidos referenciais em posturas efetivas. Na verdade, pode-se listar várias razões para se chegar a este aparente contrassenso e que vão bem além de simples justificativas que parecem pouco robustas. Como, por exemplo, o entendimento equivocado do que seja Qualidade 4.0, além da falta de investimentos em Transformação Digital.

A análise resvala, sem dúvida, para a dificuldade de optar por inovação nas organizações produtivas. E o paradoxo fica mais visível quando se percebe que as Organizações 4.0 precisam atuar em dois eixos fundamentais neste processo: (1) as novas formas de operação e (2) as novas relações com seus mercados consumidores e com a sociedade mais em geral. Dois caminhos nem sempre simples de trilhar.

As dificuldades de passar da teoria à prática trazem desafios consideráveis, facilmente identificáveis.

De outra parte, os atuais modelos de Gestão e Avaliação da Qualidade exigem uma mudança de direcionamento: ao invés de focar a empresa, a Qualidade 4.0 mira o modelo de negócios da organização. Ou seja, lançar o olhar para fora e não ficar preso em visões internas.

Ao contrário do que se pensa, essas alterações, contudo, não tornaram mais complexa a vida das empresas. Basta ver como fica fácil desmistificar esfarrapadas desculpas.

Adiar a opção prática, efetiva, pela Qualidade 4.0 para o futuro da organização pode ser o bilhete de entrada para um novo tipo de organização – a que não tem futuro.

 

*Edson Pacheco Paladini é Doutorado em Engenharia de Produção; Consultor, instrutor e professor de cursos de graduação e pós-graduação na área de Gestão da Qualidade; Autor de vários livros na área da qualidade; Consultor, Instrutor e Professor de Cursos de Graduação e Pós-Graduação na área de Gestão da Qualidade; Autor de 11 livros nesta área; Professor Titular do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas (UFSC).

Os artigos publicados refletem a opinião dos autores e não necessariamente
a da Academia Brasileira da Qualidade.

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