EM BUSCA DO IKIGAI – ORGANIZAÇÕES SÓLIDAS ADQUIREM A FLUIDEZ DOS ORGANISMOS VIVOS

IMG Livro ABQ: Em busca do Ikigai

Por Carlos Henrique Coimbra Cardoso *

 

Em um cenário global cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, as organizações se veem diante de um imperativo: evoluir ou estagnar.

O modelo tradicional, pautado na solidez e na estrutura mecânica, revela limites quando a sobrevivência passa a depender de adaptabilidade, velocidade de aprendizado e capacidade de responder ao inesperado.

É nesse contexto que a busca pelo Ikigai, a “razão de ser”, aparece como um farol, não como moda conceitual, mas como eixo de transformação.

Este capítulo explora a transição de organizações que operam como máquinas previsíveis para entidades que se aproximam de organismos vivos.

Em vez de engrenagens fixas, entram em cena sistemas interconectados: partes que se ajustam, trocam informação, regeneram competências e evoluem.

A fluidez, característica intrínseca da vida, torna-se a chave para lidar com as complexidades do mercado e da sociedade — e para evitar que a excelência do passado vire rigidez no presente.

A adoção do Ikigai organizacional, porém, não se reduz a um slogan em uma parede ou a uma frase inspiradora em apresentações. Ela toca cultura, estratégia e tomada de decisão.

Trata-se da intersecção entre aquilo que a organização ama fazer, que ela faz com excelência, pelo que ela é devidamente remunerada e pelo que o mundo precisa. Quando esse propósito é vivido de fato (e não apenas declarado), ele reorganiza prioridades, dá critério para escolhas difíceis e cria um tipo de energia coletiva que vai além da conformidade.

Fluidez, por sua vez, não significa ausência de estrutura, significa estrutura que respira e se reconfigura. Isso desafia modelos de liderança excessivamente hierárquicos e convida a autonomia responsável, a colaboração real e a cocriação.

Como a água que mantém sua natureza enquanto muda de forma, uma organização fluida encontra caminhos para contornar obstáculos, transformar crises em aprendizado e sustentar desempenho, gerando também valor para a sociedade, o meio ambiente e outras partes interessadas.

A jornada para adquirir a fluidez dos organismos vivos, impulsionada pelo Ikigai, exige coragem para rever paradigmas e maturidade para investir na qualidade das relações: diálogo, confiança, escuta, diversidade e aprendizado contínuo.

Em troca, abre espaço para inovação com sentido, engajamento menos frágil e um jeito mais sustentável de gerar valor em um mundo em permanente mudança.

A seguir, listo algumas questões que poderiam provocar algumas reflexões antes da leitura do texto:

  • E se a “solidez” que trouxe bons resultados até aqui for exatamente o que está travando a sua evolução agora ou em futuro próximo?
  • Qual é a razão de ser atual da sua organização, a vivida de fato nas ações e decisões ou a escrita no site ou nas paredes da empresa?
  • O que, na sua cultura, precisa “morrer” para que a organização passe a aprender como um organismo vivo?
  • Quantas novas ideias são perdidas por se tentar controlar demais o imprevisível?
  • Se a sua empresa tivesse que mudar de forma sem perder identidade, o que teria que permanecer intocável?
  • Como iniciar essa metamorfose, soltando amarras da rigidez sem cair no caos?
  • Quais escolhas concretas ajudam a transformar propósito em prática, sem virar discurso?
  • O que tem que mudar na vida de cada um dos atores internos para que o verdadeiro Ikigai seja alcançado?

O capítulo – Em busca do Ikigai, Organizações Sólidas adquirem a Fluidez dos Organismos Vivos aprofunda essas tensões e caminhos, conectando qualidade, gestão e futuro — e mostrando por que, daqui para frente, talvez seja menos sobre “controlar melhor” e mais sobre “viver melhor”, como organização.

“Este artigo apresenta um resumo de um dos Capítulos do livro QUALIDADE E SOCIEDADE: PERSPECTIVAS, publicado em novembro de 2025.”

 

* Carlos Henrique Coimbra Cardoso é Engenheiro Mecânico (EPUSP); Entre 1971 e 2004 trabalhou no Grupo Rhône-Poulenc / Rhodia (Atual Solvay). Na empresa foi Assessor da Presidência do Grupo, Membro do Conselho de Crescimento do Grupo Rhodia no Brasil e Diretor do Shared-Services WCM. Assessor da Presidência do Grupo, Gerente do PRHOEX – Processo Rhodia de Excelência.

Os artigos publicados refletem a opinião dos autores e não necessariamente
a da Academia Brasileira da Qualidade.

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