segunda-feira, agosto 08, 2022

Controle Estatístico de Qualidade

A Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) busca reunir profissionais que, de uma forma ou de outra, tenham contribuído e certamente continuarão a contribuir através de projetos para o desenvolvimento dos mais variados aspectos da qualidade no Brasil. Dentre esses profissionais, alguns já fazem parte da história, pelo seu caráter de pioneirismo. Um deles é o professor Ruy de Castro Bergstrom Lourenço Filho. Um de seus livros, Controle Estatístico de Qualidade, foi publicado por várias editoras, inclusive pela LTC com 17 tiragens (veja capas), é sem dúvida uma obra de referência no controle de processos de produção.

Ruy é engenheiro (UFRJ), apresentou tese de Livre Docência (UFMG), foi consultor da Eletrobras e é professor aposentado do Instituto de Economia (CCJE/UFRJ) e da Ence/IBGE, tendo dirigido ambas as organizações. O controle estatístico da qualidade na indústria visando eficiência, produtividade, vendas, etc., popularizou-se a partir do trabalho de W. E. Deming, estatístico que atuou na área de controle de qualidade das forças armadas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial e que, no pós-guerra, foi levado para o Japão pelo General Douglas MacArthur com a função de ajudar na reconstrução da indústria japonesa.

Assim, ironicamente, muitas técnicas que ajudaram os Estados Unidos da América em tempos de guerra, também ajudaram o Japão em tempos de paz. Deming tinha trabalhado com Walter Shewhart, o pai do controle estatístico da qualidade e criador dos gráficos de controle, uma das ferramentas mais poderosas do controle estatístico de processos, e do Ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action), ferramenta fundamental para o gerenciamento da qualidade.

Para Ruy Lourenço, a verificação de que o processo está ou não sob controle é feita pelo exame de amostras extraídas periodicamente. No processo sob controle o característico de qualidade do conjunto dos itens produzidos possui distribuição normal.

Quando a variabilidade se torna anormal, as amostras indicarão que o processo de fabricação se modificou e ficou fora de controle. As causas da modificação podem ser descobertas e, por isso, são denominadas causas identificáveis. A presença de causas identificáveis é indicada pela ocorrência de diferenças significantes entre o valor observado e a média do processo, isto é, de valores amostrais fora da faixa de controle. Os limites da especificação representam aquilo que se exige no projeto, para que o produto possa atender à finalidade para a qual é desejado.

Os limites de controle resultam do processo de fabricação empregado e refletem aquilo que o processo é capaz de realizar. Portanto, de posse dos limites de controle e de especificação, já é possível verificar se o processo pode ou não atender à especificação.

Essa coincidência significa que o nível médio de qualidade é satisfatório, muito embora a dispersão possa ser maior do que a especificação. Quando a média do processo estiver acima do valor nominal ou abaixo dele, então, será indicativo de elevada porcentagem de peças inaceitáveis. Quando o processo não atende à tolerância da especificação, pode-se tomar as seguintes decisões: modificar a especificação; alterar o processo de fabricação; e empregar inspeção completa, com triagem das peças fora da especificação.

Ruy, cercado de familiares, exibindo com orgulho seu diploma de Acadêmico da ABQ.

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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