quarta-feira, novembro 30, 2022

Educação e desenvolvimento

Santos Dumont

Ozires Silva

 

Poucos brasileiros têm na cabeça o quanto a Educação é importante para o nosso desenvolvimento. Mas, sugiro que pensemos, pois quem desenvolve um país não é o governo, é o povo! Para tanto, temos de falar de um povo educado e transformado pela educação em cidadãos competentes e competitivos, que possam vencer no mundo.

Em 1876, Nikolas August Otto, alemão, fez funcionar, pela primeira vez, o motor a combustão interna. Estava inventado um motor que revolucionou a propulsão mecânica, hoje instalada em praticamente todos os veículos.

No final dos anos 90, Santos Dumont, viu esse motor numa exposição em Paris e imaginou que aquela pequena máquina poderia ser instalada em balões. Em 19 de outubro de 1901, conseguiu ganhar o Prêmio Deutsch, decolando com seu Dirigível VI, de Saint Cloud, circulando a Torre Eiffel e retornando ao ponto de partida num tempo inferior a 30 minutos. Estava inventada a dirigibilidade aérea.

Albert Sabin, russo, que vivia nos Estados Unidos, em 1955 e trabalhando com Jonas Salk, usando vírus vivos atenuados, criou a penicilina, dando origem a uma ampla família de antibióticos. No final dos anos 1930, os ingleses tinham descoberto a utilidade do radar. Usaram o princípio físico do eco que, extrapolado do som, pôde encontrar identificação antecipada de movimento a distância.

Hoje, graças à Guerra Fria, Estados Unidos – Rússia, com a criação dos satélites geoestacionários, temos as telecomunicações internacionais e instantâneas. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, o americano Percy Spencer, observou que uma barra de chocolate submetida a raios eletromagnéticos derretia rapidamente. Movido por um impulso pensou que algo estaria gerando calor. Estava sendo inventado o forno de micro-ondas, hoje uma utilidade que se encontra em todas as cozinhas do mundo.

Em meados dos anos 60, um pequeno grupo de engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos, imaginou que aviões menores e mais robustos poderiam ocupar o espaço deixado para trás pelas aeronaves a jato. Criaram o Bandeirante, que se tornou uma prova do conceito que seria uma solução viável na aviação regional, então inexistente. Hoje a indústria aeronáutica brasileira exporta aviões comerciais para todo o mundo, tornando-se um dos importantes países no setor.

Nos anos 90, Joaquim Coutinho Neto e Fátima Mrue selecionavam um tipo de matéria prima para fazer próteses que pudessem substituir esôfagos humanos, funcionando como alternativa para doenças do aparelho digestivo. Descobriram uma proteína que torna possível intensificar a vascularização sanguínea, abrindo espaço para a regeneração. Hoje, há produtos no mercado que são importantes para cura de feridas de difícil cicatrização e mesmo de pés diabéticos, evitando amputações.

Perguntamos: O que move estes homens, mulheres, que estimulados pela busca do desconhecido tornaram-se capazes de criar, produzir novos conhecimentos e chegar a descobertas que mudam nossas vidas? Estamos em pleno Século do Conhecimento. Inovações alternativas “aparecem” a todo momento. Elas são criadas por pessoas educadas e inquietas, capazes e observadoras, gerando resultados imensos que influenciam até mesmo o mundo.

O importante é que essas pessoas precisam existir e ter sucesso nos seus trabalhos. Para que elas existam e se projetem, pelo menos dois requisitos são essenciais: uma sólida e competente base educacional e ambientes econômicos favoráveis, constituídos de centros de pesquisas e de conhecimento, desenvolvidos e equipados.

Para isso, precisamos investir, e muito, em educação. E não é somente uma obrigação do governo, mas também dos pais e dos cidadãos. Uma tarefa que compete a todos!

 

Ozires Silva é reitor do Centro Universitário Monte Serrat de Santos (SP) e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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