segunda-feira, agosto 08, 2022

Método PDCA: uma organização de aprendizado

Vicente Falconi

 

Sempre sou convidado a falar sobre o PDCA. É uma coisa difícil conseguir bom entendimento deste tema,  pois nós, seres humanos, somos presos a símbolos e,  quando mostro aquela figura de um círculo dividido em quatro quadrantes, tenho certeza  de que a grande maioria pensa: “isto eu já conheço!”. Pronto, está impedido de aprender o resto!

Neste momento eu costumo alertar: “Cuidado, gente, se vocês estão pensando que já conhecem esta figura, eu lhes  afirmo que vocês podem saber desenhá-la,  mas usar no dia a dia é uma coisa bem diferente!”.

O primeiro ponto é que não dá para usar bem o PDCA (melhoria da operação) sem o SDCA (boa operação). É difícil melhorar o que é aleatório. Precisamos de consistência para melhorar.

Um outro ponto muito importante é que atingir metas é um processo de aprendizado e crescimento humano, muito motivador desde que as pessoas estejam envolvidas com seus corações e suas mentes. O time tem que estar unido em torno deste jogo de  conseguir resultados cada vez melhores.

O primeiro passo em qualquer empresa é garantir disciplina operacional ou boa execução do trabalho padronizado. Esta garantia somente é conseguida pela boa padronização de processos e tarefas, além de um treinamento exaustivo e uma participação voluntária e alegre do operador. Ele tem que fazer parte da festa.

Neste ponto é bom lembrar o processo de reabastecimento de um carro da Fórmula 1. É disto que estamos falando. É também necessário monitorar os resultados para verificar a estabilidade dos resultados dos processos. A própria equipe tem que corrigir seus desvios.

Conseguir isto é o auge de um bom SDCA. Quando se tem um bom SDCA, pode-se copiar mais facilmente as melhores práticas, pois as pessoas já estão acostumadas com a execução disciplinada de padrões. Troca-se o padrão por um melhor, treina-se e a disciplina é conseguida rapidamente. Uma empresa assim aprende rápido.

O PDCA, quando utilizado sobre um bom SDCA, tem a função de alterar a maneira de trabalhar (padrões) para conseguir melhores resultados. Abastecer e trocar os pneus de um carro de Fórmula 1 consistentemente em 6 segundos deve ter sido conseguido pela utilização simultânea do SDCA e PDCA ao longo dos anos.

Novas práticas propostas pela solução de problemas por meio do PDCA (criação) são absorvidas da mesma forma que as Melhores Práticas (cópia). É por esta razão que em algumas empresas a prática dos black belts (PDCA avançado com utilização de estatística para análise de informações) traz mais resultados que em outras. Quando o SDCA é bom, qualquer melhoria funciona bem seja ela uma cópia de uma prática padrão, seja a solução de um problema muito difícil, utilizando as técnicas mais avançadas de black belts.

Uma empresa com um bom SDCA é a verdadeira “Empresa que Aprende” (learning organization). Quando você consegue estabelecer uma operação centrada num bom SDCA, você pode usar todos os recursos de aprendizado:  contrate os melhores técnicos e utilize os recursos mais avançados porque irá verificar que, assim como nas corridas domingueiras de Fórmula 1, é uma festa quebrar recordes e atingir patamares nunca antes alcançados. Pergunte aos alpinistas!

 

Vicente Falconi é sócio fundador e presidente do Conselho de Administração da Falconi Consultores de Resultado, e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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