quarta-feira, novembro 30, 2022

A inovação contínua

Gerd Altmann / Pixabay

Vicente Falconi

 

Ao longo dos anos o mercado muda, a sociedade muda, as ameaças mudam, as matérias-primas mudam, a tecnologia muda, o comportamento e as necessidades das pessoas mudam… Como consequência, as organizações ou processos devem mudar, mas não o fazem ou, se o fazem, morrem pela lerdeza.

Dentro das empresas e dos governos existem processos inteiros, cheios de gente e equipamento caro, ocupando espaço precioso e cumprindo função já não necessária. Não gostamos de mudar e nos prendemos dramaticamente aos meios nos quais somos especialistas – e que demonstram nosso aparente poder. Policiais sempre querem mais viaturas; o sistema de saúde, mais hospitais.

Somos assim: reivindicamos meios sem analisar criticamente os fins a que se destinam. Quais são os fins? Quais são as necessidades da sociedade? Se os fins já não são os mesmos, se já não são necessários, então todos os meios, por mais numerosos e sofisticados que sejam, significam apenas custos que não produzem valor para ninguém. Devemos, anualmente, em qualquer organização, rever sua missão e perguntar quais são as necessidades a partir das quais nos estabelecemos e quais são as novas necessidades das pessoas.

Qualquer organização (e, como consequência, seus processos e produtos – mercadorias ou serviços) deve ser periodicamente reprojetada tendo em vista sua nova função e as necessidades do meio em que vive (mercados). Essa é a essência da Gestão da Inovação; as organizações devem inovar constantemente.

Nossas Forças Armadas e as organizações de inteligência foram projetadas e treinadas para enfrentar ameaças detectadas no passado. Estaremos preparados para enfrentar as novas ameaças? Estaremos preparados para o terrorismo estabelecido sobre novas tecnologias? Estaremos preparados para ataques cibernéticos? Estaremos preparados para enfrentar doenças rapidamente transmitidas em um mundo de alto nível de deslocamento de pessoas? E as mudanças decorrentes do aquecimento global? As novas ameaças são enormes e inusitadas.

Nossas instituições estabelecidas no passado estarão preparadas para enfrentar uma sociedade com costumes, recursos tecnológicos, disponibilidade de armamentos e exposição internacional muito diferentes daqueles que originalmente as instituíram?

As mudanças são a essência do gerenciamento – mudanças de estruturas e de processos para que as novas necessidades da população sejam detectadas e atendidas ao mais baixo custo. Essas mudanças são por vezes difíceis de fazer, porque exigem lideranças com espírito público e visão de estadista. Por exemplo: todos sabemos da necessidade de promover a reforma política, a reforma tributária, a reforma previdenciária, etc.

Nossas instituições estão ultrapassadas pelas necessidades da população e já não cumprem, eficientemente, a função para a qual foram criadas. A Gestão da Inovação, ou seja, o reajuste contínuo das instituições tendo em vista as necessidades da população, deveria ser a agenda de prioridades de todos os governantes, sejam eles do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário.

Temos assistido à reestruturação de algumas empresas em que 40% da estrutura existente era totalmente desnecessária! Essa estrutura foi estabelecida no passado para cumprir funções antes necessárias. As necessidades desapareceram, mas a estrutura continuava firme, tirando o vigor e a competitividade da organização.

O grande avanço tecnológico acelerou em demasia as mudanças mundiais e aumentou o perigo, pois quanto maior o nível de tecnologia, maior o poder concentrado na mão do homem. Como em Nova York, poucos homens matam milhares rapidamente e desarticulam o sistema financeiro mundial. Isso seria impossível há 100 anos, pois não havia tecnologia a possibilitar atos dessa proporção. Hoje o mundo está muito mais rápido e perigoso.

O avanço tecnológico também provoca mudanças muito rápidas para as empresas – as quais se adaptam ou morrem. A rapidez das mudanças pega alguns executivos de surpresa: quando se dão conta, já não há tempo. Governos não morrem, mas sua inadequação às necessidades de hoje pode levar nações à pobreza e ao desespero. Temos exemplo disso por perto.

Gerenciar é atingir novos resultados com mudanças constantes na organização. É por tal razão que nós, da FALCONI Consultores de Resultado, acreditamos que difundir um gerenciamento competente é uma missão das mais nobres e que abraçamos com imensa dedicação.

Um bom governo, seja de uma empresa ou de uma nação, será aquele que conseguir conduzir seus líderes à promoção de mudanças contínuas por meio do bom gerenciamento. Serão mais bem-sucedidas as empresas e as nações que estiverem preparadas para enfrentar o ritmo de mudanças necessárias à sobrevivência nos dias que estamos vivendo.

 

 

Vicente Falconi é sócio fundador e presidente do Conselho de Administração da Falconi Consultores de Resultado, e membro da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ).

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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