sábado, maio 28, 2022

Entrevista concedida por Eduardo Guaragna à ABRAC – 25/03/2022

No dia 25/03/2022, a Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) publicou em seu site a entrevista concedida por Eduardo Vieira da Costa Guaragna, presidente da Academia Brasileira da Qualidade (ABQ), comentando sobre a importância da entidade, avaliação da conformidade e modernização do Modelo Regulatório do Inmetro.

Segue a íntegra da entrevista:

“Guaragna é engenheiro mecânico e mestre em administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui mais de 35 anos de experiência em áreas técnicas de engenharia, projetos, construção e montagem de refinaria e petroquímica.

A ABQ é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, tendo como membros pessoas experientes e de reconhecida competência profissional adquirida ao longo dos anos – nas universidades, nas empresas e em outras organizações privadas ou públicas – em atividades relacionadas à engenharia da qualidade, à qualidade e sua gestão e à excelência na gestão.

Abrac – Quais são os principais objetivos da Academia Brasileira da Qualidade?

Eduardo Vieira da Costa Guaragna – A ABQ é uma organização não governamental sem fins lucrativos que, desde a sua criação em 2010, visa contribuir para o desenvolvimento do conhecimento em engenharia da qualidade, em gestão da qualidade e da inovação e em excelência da gestão, para benefício das organizações e da sociedade brasileira na busca de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Por trás desse macro-objetivo está a nossa crença de que a qualidade é base para o sucesso de um país, das organizações e instituições e da vida digna das pessoas.

Hoje de forma sucinta dizemos que o objetivo da ABQ é a inserção plena da qualidade na cultura brasileira. Um objetivo de longo prazo, sem dúvida, alicerçado em três pilares estratégicos: disseminando conhecimentos, emitindo posicionamentos e mudando comportamentos. Nossos projetos e iniciativas estratégicas estão alinhados a estes pilares. No âmbito interno, a ABQ também deseja reconhecer pessoas que se dedicaram à qualidade em grande parte de sua vida: os acadêmicos, que são os membros da Academia.

Abrac – Como é ser um acadêmico da ABQ e quais são as principais funções?

Eduardo Vieira da Costa Guaragna – Os acadêmicos são pessoas de comprovada competência profissional e idoneidade pessoal, com contribuição significativa – em universidades públicas, comunitárias e privadas, empresas públicas e privadas, organizações governamentais, organizações não governamentais e outras organizações privadas – para o desenvolvimento ou a aplicação do conhecimento nas áreas abrangidas pela missão da ABQ. Devem ter no mínimo 55 anos de idade e 30 anos de experiência em qualidade/gestão.

Há três categorias de acadêmicos: Acadêmicos Titulares – é a via normal de entrada na ABQ; Acadêmicos Seniores – são titulares que ao completarem 80 anos podem optar por esta condição e Acadêmicos In Memoriam – são aqueles que já são acadêmicos da ABQ e falecem ou já são falecidos e seu nome é submetido a ABQ nessa condição. Atualmente temos 50 Acadêmicos Titulares, 5 Acadêmicos Seniores e 10 In Memoriam. A entrada na ABQ é por convite, feito após a apresentação por um ou mais acadêmicos (um deles como padrinho) e a aprovação, em votação sigilosa, por um mínimo de 2/3 dos Acadêmicos Titulares. A passagem de um Acadêmico a Sênior ou In Memoriam, abre vaga para entrada de Acadêmico Titular.

A atuação da ABQ é fundamentada nos seus acadêmicos, em seus conhecimentos, experiências e disponibilidade e orientada pelos três pilares estratégicos mencionados.

Na disseminação de conhecimentos buscamos diversos meios:  realização de Lives (hoje mais de 20), seminário anual (8 edições), entrevistas, artigos, vídeos, palestras, estudos e relatórios técnicos, livros em forma de e-book e download gratuito, na emissão de posicionamentos a ABQ emite seu ponto de vista e recomendação para temas relevantes. Um dos exemplos é o Manifesto à Sociedade Brasileira que está no nosso website, elencando 12 pontos fundamentais de melhoria que impactam negativamente a qualidade de vida dos cidadãos, também um Position Paper sobre Educação Básica: o que propõe a ABQ, reforçando o que fazer para elevar a qualidade da educação fundamental no país.

Também contribuímos ativamente, como a Abrac, no processo de atualização da Infraestrutura da Qualidade do Brasil, comentando a proposta de modernização do Modelo Regulatório do Inmetro.

Por fim, atuamos para mudança de comportamento para uma cultura pró-qualidade no Brasil. Isso demanda mais tempo e se dá por um conjunto de ações que mostre o valor da qualidade para o país. Uma das formas ocorre pelos reconhecimentos da ABQ àqueles não acadêmicos dedicados à qualidade. Isso é feito pela concessão da Medalha ABQ Mérito à Qualidade João Mario Csillag para trabalhos na área da qualidade e que sejam relevantes e pela concessão do Troféu Personalidade ABQ da Qualidade, a pessoas que dedicaram sua vida a qualidade e a boa gestão.

Abrac – A avaliação da conformidade é, em resumo, o meio pelo qual um produto, processo, sistema ou serviço é avaliado e comparado com uma referência, de forma a propiciar um adequado grau de confiança de que o mesmo atende aos requisitos pré-estabelecidos em padrões, normas e regulamentos técnicos. Como avalia a relação de avaliação da conformidade com qualidade?

Eduardo Vieira da Costa Guaragna – A avaliação de conformidade é importante pois visa demonstrar que um produto, processo, sistema ou serviço atende às especificações contidas em normas técnicas ou regulamentos técnicos, facilitando a boa relação entre cliente-fornecedor. Sua relação com a qualidade é direta. Porém também é importante ter em mente que a qualidade no seu sentido amplo tem a ver com o atendimento às necessidades e expectativas implícitas e explicitas por parte do cliente ou consumidor. Isso é algo mais abstrato, e pode implicar mais do que uma simples questão de verificar a conformidade contra as especificações definidas. O ideal é que a conformidade reflita a plena satisfação do cliente.

Abrac – Quais são as expectativas da AQB para a implementação do Modelo Regulatório do Inmetro?

Eduardo Vieira da Costa Guaragna – Que este Modelo possa ser uma base moderna e atual para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros, preparando a indústria brasileira para fazer frente às exigências da 4ª revolução industrial, com as demandas por inovações e a nova dinâmica do ciclo de vida de produtos incorporadas. Um Modelo que traga dinamismo, regulamentos menos prescritivos, menos burocracia, processos enxutos para desenvolvimento e atualização de regulamentos; mas um modelo que, ao mesmo tempo, defenda os interesses à competitividade e atenda às necessidades da sociedade brasileira.

Abrac – Quais são os planos da Academia para 2022?

Eduardo Vieira da Costa Guaragna – Temos alguns desafios importantes, afora dar continuidade ao que já fazemos alinhado aos pilares estratégicos.

Destaco quatro deles: o primeiro trata da proposta da ABQ para melhoria da qualidade e implementação da gestão nas escolas do ensino fundamental público. Nossos estudos mostram que a produtividade do Brasil está aquém e um dos fatores está na falta de qualidade na formação e no aprendizado do aluno no ensino fundamental. A gestão na escola tem se mostrado eficaz, quando implantada, para essa melhoria de desempenho. É um trabalho complexo e estamos construindo isso com instituições e pessoas da área de educação, experientes e de referência nesse tema. Vamos impulsionar esta necessidade junto aos que influenciam e aos que decidem na área da educação.

O segundo está na preparação de um documento aos presidenciáveis no sentido de mostrar problemas e principalmente propor soluções para assuntos relacionados a missão da ABQ e que têm forte impacto na sociedade.

O terceiro diz respeito a aproximação com o cidadão ou leigo menos conhecedor da qualidade e do microempresário que não conhece os benefícios da qualidade e da gestão. Trata-se da disseminação da qualidade em serviços.

O último diz respeito a ampliação do tema qualidade no contexto brasileiro onde as necessidades de bem-estar social são tão ou mais importantes que as necessidades de bens materiais. Ou seja, a qualidade ganha uma abrangência de lato sensu e pode tornar-se o instrumento viabilizador do Brasil tornar-se desenvolvido e sustentável. Neste particular a ABQ deseja realizar debates internos denominados de Café da Qualidade.

A ABQ e o Brasil precisam estar preparados para as oportunidades e desafios que certamente aparecerão nesse contexto de mudanças, rápidas e constantes.

 

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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