Acadêmico Vivaldo Antonio Fernandes Russo

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Recuperação do Brasil pós COVID-19

 

Vivaldo Antonio Fernandes Russo é Engenheiro Mecânico (FEM-UNICAMP) com Pós-graduação em Engenharia Mecânica (FEM-UNICAMP); Diretor Presidente Aposentado da EATON – Hydraulics da América do Sul; Professor do Curso de Extensão (FEM-UNICAMP); Membro e ex Diretor da SAE Brasil; Diretor de Estudo e Projetos da ABQ.

 

Como você percebe os impactos e consequências da COVID-19?

Eles estão nos mostrando enormes vulnerabilidades do Brasil, principalmente com relação à miséria em determinadas regiões, que se assemelham a países da África subsaariana. Além disso, salta aos olhos a precariedade do nosso sistema de saúde. Não podemos deixar de mencionar, também, o grande impacto negativo em nossa economia, que já estava mal antes da pandemia. Devemos fechar o ano com a dívida pública bruta perto do 100% do PIB o que dificultará, em muito, nossa recuperação pós epidemia. Essa recuperação deverá ter um foco especial na redução da pobreza e da desigualdade social.

 

O que fazer no curto prazo, afora as medidas já tomadas, para atenuar o impacto econômico, empresarial e social?

Eu penso que o Governo em todas as esferas já disparou medidas que estavam ao alcance de um país de renda média como o nosso. Agora é monitorar e adequar as ações conforme os acontecimentos, aqui e no mundo, vão exigindo.

 

Como a qualidade e a gestão podem ajudar para saída da crise?

Creio que devemos olhar com mais cuidado para as micros e pequenas empresas, que são em grande número na sociedade brasileira. Parte considerável delas tem pouco ou quase nenhum conhecimento sobre as melhores práticas de gestão. As que sobreviverem, num primeiro momento, vão demandar apoio financeiro. Portanto, sou da opinião de que o Governo e as grandes e médias empresas deveriam se alinhar num grande programa de desenvolvimento da gestão de qualidade e da qualidade nas micros e pequenas empresas. Neste sentido instituições como a ABQ, FNQ e MBC, além de outras, podem oferecer inestimável contribuição a estas iniciativas.

 

Sempre dizemos que o Brasil é o país do futuro: Isso pode acontecer algum dia? Quando? Como será possível?

O Brasil é o país do futuro desde que foi descoberto. Certamente, as causas não são, portanto, recentes. Elas devem fazer parte de algumas características da nossa sociedade que se formaram há muito tempo na nossa história e persistem até hoje. Recentemente, li que uma delas se deve à escravidão. Mas, os Estados Unidos a experimentaram e, nem por isso a escravidão impediu que eles se tornassem a maior potência do planeta. Tais características fazem com que nossos desafios se tornem sistêmicos, como é o caso da corrupção. Porém, acredito firmemente que podemos nos transformar num país desenvolvido. Temos tudo para isso. Mas, inicialmente, a sociedade tem que estar consciente dessas causas sistêmicas. Em seguida, ter a vontade de eliminá-las. Depois disso é trabalhar duro durante algumas décadas, talvez de 30 a 50 anos para atingir o objetivo. Causas sistêmicas demandam muito tempo para serem superadas. É questão de mudança cultural!

 

Podes nos adiantar do que trata o estudo e pesquisa que tens desenvolvido junto com o nosso colega Ettore?

No final de 2014 a Academia Brasileira da Qualidade lançou seu Manifesto contendo 12 itens. O terceiro afirma que “não há qualidade sem um programa de inclusão social”. No ano seguinte nosso colega Ettore e eu fomos convidados pela Diretoria para constituir um grupo de estudo sobre o tema. Desde então temos estudado o assunto. Já publicamos seis relatórios técnicos no sítio da ABQ e dois na revista digital AdNormas. Temos explorado várias dimensões da inclusão social evolvendo pobreza, distribuição de renda, qualidade de vida, felicidade e bem-estar social. Mas, ainda temos um campo enorme a pesquisar. Recentemente, nosso grupo foi reforçado com a chegada da nossa colega Ana Cristina.

Este artigo expressa a opinião dos Autores e não de suas organizações.

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