Por Baslio V. Dagnino*
Era uma vez um qualiticien (em francês!) profissional. Suas aventuras eram as mais variadas.
Mas no Rio foi pior: o gerente de grande loja de departamentos ouvia um cliente reclamando da qualidade da árvore de Natal e dos enfeites que comprou em 5 de dezembro, e queria devolvê-los recebendo de volta o valor pago.
Enquanto isso, na Inglaterra um natural da terra queria trocar a lâmpada do projetor que queimou ao ser instalada, no que foi atendido sem qualquer ponderação do vendedor.
No mesmo país um passageiro chega de viagem intercontinental em um aeroporto da Alemanha, vai para o hotel que reservou e fica perplexo: o prédio parece ter sido atingido por uma bomba da 3ª. guerra mundial, tal o seu estado precário de habitabilidade. Em compensação, sua surpresa no quarto valeu a pena: uma cesta de frutas e uma garrafa de champagne alemão (“sekt”) estava na mesa com flores, com o cartão de desculpas do gerente.
Já na Itália foi diferente: um grupo de jovens alemães na Piazza Navona se queixa da bagunça do trânsito, e outro dizia que adorava aquela indisciplina local.
Na Escócia num drink noturno um garçon nos interpela para saber se estamos hospedados. Explicamos que sim, e ele retruca: desculpem, mas não aceito essa mentalidade rigorosa dos ingleses com hora para tudo.
Na ilha de Capri, ao descobrir que o barco do horário não chegava, fomos informados de que o aviso no quadro era muito antigo, e não valia mais.
Em Moscou o responsável por manobrar o projetor não falava inglês, de forma que a apresentação do palestrante foi aquele perfeito descompasso. Em compensação, em Lisboa o salão do hotel do congresso tinha uma quina, que obstruía a visão dos presentes. E era tanta máquina atravancando o espaço de um museu onde ocorreu o cocktail em Lisboa que mal se conseguia andar.
Já em Estocolmo estacionei com carro emprestado pelo crooner (brasileiro, cantando Garota de Ipanema!) do ferry entre Kiel e Göteborg que ao longo da viagem deu o fora, ao invés de multa, o policial rodoviário consertou o distribuidor do veículo! A multa chegou no parque Skansen, quando aprendi que no país, se não existe placa de permitido, é proibido estacionar.
Bem, as qualidades e as desqualidades foram inúmeras em quase todo o Mundo como observamos. Só faltava o guia individual chinês na chamada Cidade Proibida em Beijing dizer: “aqui na China só está faltando um Partido Comunista!”
*Basilio Vasconcellos Dagnino é Graduado em Ciências Navais pela Escola Naval; Graduação em Ciências Administrativas pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas Moraes Júnior; Especialização em Eletrônica pela Marinha; Engenharia Econômica pela Universidade do Brasil; Ex-Vice-Presidente (2014-2016) e ex-Diretor Presidente da Academia Brasileira da Qualidade (2017-2018); Foi o primeiro Gerente Técnico da Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (atual FNQ); Consultor em modelos de gestão de empresas nacionais e multinacionais, e empresas e órgãos públicos; Participou ativamente da normalização nacional e internacional: ISO 18091, ISO 20400, ISO 37001, etc.; Pela ASQ é Certified Quality Engineer (CQE), Certified Quality Auditor (CQA) Fellow; É Fellow Certified Quality Professional pelo CQI – Chartered Quality Institute – Londres; Foi juiz, instrutor e consultor de modelos de excelência do PNQ e outros prêmios.


